Professora de yoga, eu?

08 jul 19

Dois anos atrás, se alguém tivesse me dito que eu me tornaria uma professora de yoga, eu teria respondido com um olhar muito engraçado. Dei aulas no ensino médio por dez anos e dirigi uma escola do método Sudbury por seis anos. Logo, ensinar não era novidade para mim. Mas… yoga? Até julho de 2017, eu provavelmente não tinha feito mais de 20 aulas de yoga na minha vida!

Minha articulação sacroilíaca (do quadril) começou a me dar problemas e, na minha busca por algo permanentemente curativo, ao invés de apenas alguns ajustes quiropráticos, consegui uma aula na Kaiut Yoga com a professora Lela Iselin. Então, surgiu um novo problema: meu corpo amava Kaiut Yoga, mas Lela estava viajando e mais ninguém na minha cidade ensinava o método.

Na época, eu conhecia três professores de yoga. Conversei com eles sobre Kaiut, na esperança de interessá-los o suficiente para fazer o treinamento de professores. Quando isso não deu certo, um pequeno sussurro em minha mente disse: “Por que você não faz o treinamento?” Mas… como assim? Eu? Ensinando yoga?

Eu tentei evitar pensar sobre isso, mas acabava surgindo em minha cabeça incessantemente. Estava agitada, me perguntando como poderia pagar a viagem e o treinamento… E depois comecei a indagar por que eu estava considerando verdadeiramente isso. Era bizarro contemplar a ideia de me tornar uma professora de yoga!

E então, um dia eu tomei a decisão. “Eu vou.” Reservei meu lugar no treinamento e, de repente, toda a minha agitação desapareceu. Eu sentia que tinha acabado de tomar a decisão correta.

Quando eu penso em como foi meu primeiro treinamento em Toronto, sinto que passei o tempo todo em modo defensivo, protegida contra este território completamente desconhecido em que eu estava adentrando. Eu fiquei a maior parte do tempo no fundo da sala, fazendo algumas perguntas pontuais, mas falando pouco. 

Quando Francisco me pediu para compartilhar algo no fim do treinamento, foi difícil encontrar algo para dizer. Eu tinha gostado do treinamento, era uma linha de aprendizado emocionante que tinha me deixado inspirada. Mas, mesmo assim, a ideia de me tornar uma professora em um campo no qual eu não tinha absolutamente nenhum conhecimento ou experiência anterior era muito intimidante. 

No entanto, sabia que agora precisava seguir em frente e começar a ensinar. Meu sussurro interior tinha voltado! 

Felizmente, uma amiga que mora em uma província estava interessada em experimentar o Kaiut Yoga, e então comecei a ensiná-la duas vezes por semana pelo Skype. Eu gravei as aulas e continuei minha própria prática seguindo minhas gravações. Lembro que minha irmã me disse: “Você pode começar a dar suas aulas!”. Eu resisti, hesitei, procrastinei, até que não tinha mais desculpas. “Primeira aula, quinta-feira”, finalmente.

Eu venho ensinando três dias por semana desde então. Às vezes tenho apenas um aluno e outras vezes, tenho até sete. Ainda preciso preencher meu estúdio do porão, o qual tem capacidade para até nove alunos. 

Em novembro, fui a Amsterdã para meu segundo treinamento de professores. Desta vez, eu estava totalmente aberta, animada e feliz! Francisco me pediu para compartilhar minha experiência com a inflamação do quadril e eu me enchi de entusiasmo! Falei sobre todo o processo e todas as formas que a Kaiut Yoga enriqueceu minha vida. 

Isso significa que meus medos foram embora? Não. Ainda fico preocupada quando recebo um novo aluno cuja condição física é completamente nova pra mim. “Como eu os ajudo? Como adequar as poses? Eles se arriscam a se machucar porque eu sou muito inexperiente?”. Felizmente, tenho um grupo de professores no Facebook para recorrer quando tenho dúvidas. Isso tem sido um grande apoio para mim! Fico trabalhando em “fazer perguntas melhores”, do jeito que Francisco nos instruiu a fazer. 

Quando estava em Toronto, pessoas que estavam no programa brincavam postando notas, anunciando grupos de apoio para várias “condições” surgidas do treinamento. Eu me lembro vagamente de algum tipo de grupo de apoio sukhasana (a pose confortável) e outro “a vergonha de deixar o telefone celular ligado”. Em algum momento, coloquei uma nota oferecendo o grupo de apoio “Eu nunca ensinarei Kaiut Yoga”. Sei que há alguns professores que, inicialmente, se sentiram assim. Agora posso dizer que também passei por essa fase! 

O que eu encontrei do outro lado? Alegria, realização e gratidão! Ainda tenho muito a aprender e sei que sempre me sentirei assim… mas, eu pulei com os dois pés e não afundei! Muito pelo contrário, estou aqui com a minha história, esperando que isso inspire os que estão vindo depois de mim!

Nicolette Groeneveld

Edmonton, Canadá