Newsletter #03

19 out 20

Olá!

Hoje, nossa newsletter traz o depoimento de uma querida professora do método Kaiut Yoga. Ela faz um relato detalhado de como a prática a ajudou a superar o quadro de dor crônica que enfrentava há anos.

Neste artigo, eu sugiro uma reflexão sobre a responsabilidade que cada um de nós tem sobre a própria saúde e como é urgente sermos agentes do autocuidado. E, por fim, eu complemento nossa conversa fazendo um convite a você:

Que tal flexibilizar seu próprio ponto de vista?

Espero que goste do conteúdo que preparei com carinho para você.

Boa leitura!

Depoimento
Por Helo*

Minha relação com o movimento vem do início da infância, de uma criança que se desenvolveu em um sítio urbano, rodeada de árvores e primos. Aos 7 anos me mudei para um apartamento, mas a correria, os jogos e a bicicleta continuaram na calçada. Estávamos na década de 1960 e isso ainda era possível! Não suficiente, veio a ginástica artística e o tênis, ambos praticados até o início da adolescência.

Essa minha relação com o movimento se fortaleceu e com a faculdade de Educação Física e o início do trabalho na Secretaria de Esportes, Recreação e Lazer de Porto Alegre, profissionalizou-se. Nos anos que se seguiram eu dei aulas de futebol de campo, tênis, basquete, vôlei, musculação, caminhada, alongamento e ginástica localizada. Todas modalidades que eu já havia praticado na vida e julgava serem importantes para tornar um corpo forte e saudável.

Em 2005 fui convidada para trabalhar na gestão do esporte na cidade e, com isso, veio a cadeira, as dores e o diagnóstico de osteoporose. Sim, eu tinha apenas 44 anos e, apesar de ter passado a vida inteira fazendo exercícios no sol, estava com osteoporose.

Em 2013, na coordenação do Ginásio Municipal, a cadeira permaneceu no meu dia a dia. Nesta época eu buscava todas as alternativas possíveis para me “livrar” da dor que me acompanhava 24h por dia. Incluía também musculação para “acabar” com a osteoporose, além de caminhadas e trilhas (uma paixão!).

Foi então que tive o segundo diagnóstico: fibromialgia e um processo degenerativo no quadril esquerdo, que segundo o médico, em poucos anos exigiria uma prótese. O diagnóstico veio acompanhado da proibição de fazer as caminhadas com mais de 30km em um único dia. Justo eu que fazia trilhas todos finais de semana e já tinha chegado a pé, em Santiago de Compostela, duas vezes.

– “Mas o que eu vou fazer de exercício físico?”, perguntei.

– “Hidroginástica”, foi a resposta.

– “Como?”

Preciso explicar para vocês que, na Educação Física, a hidroginástica é considerada um exercício para pessoas idosas. Depois de conversar com vários colegas, decidi dar uma chance para o yoga, mesmo achando que seria uma chatice.

Foram quase quatro anos de prática, mas a dor permanecia. Até que ao cair em uma invertida, rompi o tendão de um dedo da mão, desloquei uma vértebra cervical, ganhei mais dores e abandonei as aulas. Era março de 2017.

Ao longo daquele ano ouvi muito falar do Kaiut Yoga. Recebi convites para fazer aulas e me contaram de uma formação que aconteceria em Gramado. Como eu estava para me aposentar e pensando em possibilidades diversas, minha resposta para todos os convites era não.

Em agosto, percorri mais uma vez o Caminho de Santiago, levando na mochila a dor e a ideia da formação reverberando. Quando retornei, dois módulos do curso tinham acontecido e outras duas pessoas me falaram sobre o Kaiut Yoga. Movida pela curiosidade que faz parte do meu ser, em dezembro estava sentada na postura Sukhasana na sala de formação em Gramado e me perguntando: “o que eu estou fazendo aqui?”

Eu sentia muita dor e, pior, tinha a percepção da perda de movimento. Aceitar isso era dificílimo, ainda mais sendo uma educadora física. Os módulos se seguiram e, com eles, a negação da condição do meu corpo, traduzida numa resistência e em uma análise anátomo/biomecânica/fisiológica constante. Então, comecei a perceber melhoras no movimento e o nível de dor diminuindo.

Assim, me rendi ao método.

Hoje, sou uma pessoa totalmente diferente daquela que eu era há três anos. Estou melhor fisicamente, apesar de três anos mais velha. Raramente sinto dor e, quando isso acontece, sei a causa e como lidar com ela. Minha osteoporose reverteu, coisa que anos de musculação não conseguiram fazer. Estou menos ansiosa e mais tranquila. Meus padrões de pensamentos repetitivos, que eu chamava de “hamsters correndo na rodinha”, não me atormentam mais. Aprendi a não os deixar me dominar.

Perdi o medo de envelhecer porque me sinto cada vez melhor. E quero levar o Kaiut Yoga para o maior número possível de pessoas, pois confio na qualidade de entrega de resultados do método devido à mudança que a prática provocou em minha vida. Desejo ser uma professora cada dia melhor e promover os melhores resultados para meus alunos, da mesma maneira que recebi do Francisco.

Meu propósito, desde sempre, foi levar para as pessoas a possibilidade de uma vida longa e saudável. Agora encontrei uma ferramenta que faz muito sentido. Acredito ter sido uma benção conhecer o método.

Quem sofre de dor crônica entende perfeitamente o meu desejo, eu diria visceral, de viver sem dor…

Namastê!

* Helô, professora do método Kaiut Yoga.

Minha vida profissional sempre foi única. A começar pela escolha que fiz de me construir profissionalmente como um livre pensador, ao invés de seguir as tendências familiares com formações universitárias, mestrados, doutorados e etc.

escolha pela saúde natural e pelo yoga precisava acontecer livre da influência da medicina, da psicologia e da cultura do exercício do ocidente. Para mim, a terceirização da saúde do indivíduo, promovida pelo pensamento médico vigente, era parte central do problema da saúde humana e se enraizava também na psicologia e na cultura das atividades físicas. Todas estas áreas estavam, de certa forma, contaminadas.

Não me entendam mal, eu respeito essas ciências e creio que funcionam, mas não eram o que eu desejava na formação da essência da minha carreira. Eu queria a saúde sem amarras e sem influências. Com o passar dos anos confirmei que ser livremente responsável pelos meus acertos e pelos meus erros foi o melhor caminho!

Como no relato da querida Helô, eu vi muitas pessoas pagarem um alto preço pela assimilação de conceitos e ideias vindos dos esportes competitivos e de atletas profissionais. É um erro adotar estes hábitos quando se é um ser humano normal e com a rotina dividida entre o carro, o escritório e a família.

Não creio que informações vindas do universo esportivo ou fitness ou baseadas em atletas profissionais se aplicam a nós, seres humanos comuns. Assim como não acredito que aquelas vindas do esporte competitivo de ponta possam ser adotadas por nós. Isso é perigoso, insustentável e, no médio prazo, uma “fábrica” de lesões.

Isso acontece porque, como eu costumo comparar, o cérebro humano funciona como uma “lâmpada de Aladim” ou uma caixinha de desejos. Aquilo que você pedir, ele fará de tudo para te proporcionar. O problema é que fazemos pedidos sem saber que estamos pedindo. Eu explico: quando você quer se movimentar, jogar futebol, correr, caminhar é isso que você está pedindo e o que o cérebro vai te dar, o movimento.

E se há alguma coisa errada, do ponto de vista da biomecânica, o cérebro vai antecipar isso, perceber o problema e criar rotas alternativas compensatórias de movimento corporal para que você continue tendo o que deseja. Assim, ele mantém a função de ser essa caixinha dos desejos. Entretanto, como ocorreu com a Helô, chega um momento que estas rotas se esgotam e a dor aparece. Geralmente, isso acontece aparentemente de um dia para o outro mas na verdade foram muitos anos. Apenas a percepção é súbita.

E quando o aluno se dá conta das perdas que sofreu, toma consciência e dá o primeiro passo na direção da reversão deste processo. A mensagem que ele manda para o cérebro é que deseja encontrar os lugares que perdeu movimento ou liberdade. Apenas depois que encontra, é que consegue reconstituir os movimentos.

Esta foi a frase da Helo: “ tinha a percepção da perda de movimento”. Este e o ponto crucial. Apesar de inicialmente frustrante a percepção da nossa real condição e o único caminho possível para a transformação positiva.

Por muito tempo eu nutri a ideia de que o uso do corpo da maneira como vinha sendo propagado, por décadas, nas escolas de educação física estava fundamentalmente errado e esperava encontrar provas das minhas desconfianças.

A Helô, assim como parte de uma lista enorme de meus alunos, fez a coisa certa, da forma certa, segundo todos os manuais existentes e de acordo com os melhores professores e médicos disponíveis, porém, todos esqueceram de um detalhe: a nossa querida mãe natureza não havia sido consultada. E, afinal, qual seria o plano dela para nós?

Este tem sido o propósito central da minha vida. Descobrir como alinhar os meus alunos com as suas naturezas individuais, criando condições para que a natureza retorne seus estados de saúde ou como eu prefiro chamar, de equilíbrio.

Não sou contra ciência alguma, tampouco contra a medicina ou a psicologia, mas sou absolutamente contra a ignorante tendência humana da dogmatização. Este hábito de se esconder atrás de leis pensadas para gerar reservas de mercado e, mais ainda, sou contra a tendência humana de terceirizar a própria saúde, esperando da medicina o que ela nunca prometeu!

Sim, meus caros. Apenas nós podemos construir a nossa saúde e a nossa qualidade de vida física, mental e emocional. Até contamos com o auxílio de profissionais fantásticos, mas a saúde é nossa e a construímos a cada dia, em cada garfada de comida, em cada uso do corpo, em cada pensamento e emoção que acolhemos ou nutrimos em nós mesmos.

Longevidade com plenitude é uma consequência direta da nossa postura diante da vida e cada segundo conta.

Meu olhar

Com a Helô eu literalmente não fiz nada. Exatamente como acho que fiz em meus melhores trabalhos e resultados. Parei, observei de longe, limpei a mente e o coração de qualquer preconceito ou julgamento e me permiti enxergar apenas a realidade daquele ser humano em movimento.

Ao meu estilo, casual e aparentemente desinteressado, vi tudo que se movia e tudo que não se movia naquele corpo machucado, dolorido e amedrontado. Vi a expressão viva da frustração e do conflito pela confiança depositada em tantas ideias vazias. Mais um corpo como tantos outros se expressando “transparente”, a essência da transparência. Algo que só vi nas minhas salas e em ambientes coletivos e, por isso mesmo, inclusivos, seguros e grandes facilitadores do reconfortante anonimato gerador de transparência.

A Helô mostrou mesmo muita dor, frustração, conflitos emocionais e intelectuais. E chorou por muitas razões mixadas. Posso parecer duro, insensível, mas esta é a única forma de ser professor e, assim, professar convicções por meio do ensino consistente e sustentável. Preciso ser capaz de enxergar além das lágrimas e através do corpo sem me deixar levar por emoções turvas que nos privam da real empatia e, especialmente, impedem nossos alunos de alcançar resultado.

Desta maneira, agi como se não enxergasse, mas eu sabia o quanto tudo era honesto, genuíno e me importava em fazer aquela entrega. Uma aula, pouco mais de duas horas e uma conclusão: apesar de todo sofrimento, ela não precisava passar por todas aquelas dores causadas pela orientação pobre e de várias tentativas médicas ou não de enquadrá-la em uma regra geral, porém, nada natural.

Minha opinião, pare tudo que está fazendo e faça só isso aqui. Mas faça pouco, bem pouco. Yoga para mim é homeopatia. É o remédio certo e suave, diluído e potente!

Resultado. Mais conflito, sensação de perda e frustração. É difícil este momento em que a saída de uma situação acentua nossos medos. Enfim, ela não resistiu muito. Apostou não em mim, mas na lógica do que ofereci. Confiou na sua própria capacidade de ouvir, entender e aprender. Libertou-se de uma vida de informações não refletidas, mas apenas absorvidas e ganhou asas.

Como sempre acontece quando algo é bem entendido e aplicado, o yoga paga seus dividendos. Uma vida sem dor e as dores inevitáveis aceitamos sem conflito. Sabedoria para distinguir o desnecessário do inevitável.

Parabéns pupila! Seu maior crédito foi se permitir flexibilizar, em primeiro lugar, o seu ponto de vista. Trabalhei e trabalho com médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas naturais, quiropratas, professores de yoga e muitos outros profissionais.

Na minha experiência o que falta para a maioria de nós é a flexibilidade real, a interna. Esta é a habilidade de mudar de ideia quando uma nova ideia, mesmo sendo muito desafiadora, mostra-se melhor. Nos falta curiosidade e independência para pensar livremente.

Isto não faltou pra Helô. Isso sim é raro!

Pratiquem com inspiração apaixonada,

Francisco Kaiut 

Escola Online Kaiut Yoga.
Seu corpo independente e inteligente.