As 5 diferenças entre o método Kaiut Yoga e outros métodos

24 mar 20

Francisco Kaiut, criador do método, explica quais as diferenças entre o método Kaiut e outros tipos de Yoga. No post de hoje, ele faz uma explicação detalhada de 5 conceitos simples.

Algumas semanas atrás eu fui convidado por uma aluna a escrever sobre a diferença entre o meu trabalho e outros métodos de Yoga.

No momento do convite, por conta da intensidade da minha agenda, não pude pensar a respeito. Porém, a lembrança do pedido e a inspiração para o artigo vieram até mim no momento ideal.

Durante meu pós temporada, eu estava retirado com a minha família, alguns alunos e nossos amigos próximos, em uma região montanhosa a cerca de duas horas ao norte à cidade de São Paulo. Durante os primeiros dois dias (portanto, 48h) estávamos todos em jejum completo, e no resto do retiro mantivemos o jejum intermitente. Os dias foram recheados de Yoga e uma convivência próxima. Compartilhamos momentos na sala de aula, nas trilhas que rodeiam a propriedade do retiro e durante as poucas e celebradas refeições.

Na manhã do terceiro dia, enquanto eu conduzia uma sequência de flexões profundas para frente – que eram a abertura do nosso dia de 6h de prática – comecei a falar sobre a posição. Explicava, totalmente encantado e absorto em minha experiência, e contava como aquela posição específica era biomecanicamente perfeita, do meu ponto de vista.

Quando subi meu olhar, constatei que a sala brilhava; não por haver entendido minha perspectiva, mas sim porque haviam sido contagiados pelo meu encantamento. Sentados à minha frente, meu filho e sua noiva riam muito. Depois de ver minha postura curiosa e analítca, ele explicou; “Nossa pai, você é genuinamente apaixonado por Yoga. Essa é a terceira vez em 24 horas que você usa esta mesma frase, com a mesma ênfase”. Enquanto isso, sua noiva concordava e ria. 

Ao final do dia, não conseguia tirar aquele momento da minha cabeça e, depois, ele se apresentou em forma textual. Tive que concordar com meu filho: eu amo o Yoga com cada uma das minhas células. Quanto mais eu pratico, estudo e ensino, e quanto mais eu constato resultados, mais a avalanche da minha paixão cresce.

Acredito que o fato do Yoga ser tão antigo e, ao mesmo tempo, ser mais atual do que nunca, faz desta criação humana uma das mais brilhantes e incompreendidas da nossa história. De forma paralela, o Yoga consegue ser biomecanicamente um impecável recurso de preservação da funcionalidade, assim como é um desbravador do potencial de saúde e longevidade, propriedade ainda pouco conhecida. 

Penso que, quando falamos de Yoga, pensamos em circulação perfeita, funções articulares plenas e, mais do que isso, falamos de relaxamento profundo e natural. Falar de Yoga também é falar de mudanças positivas na frequência das ondas cerebrais, melhora de foco e atenção plena, e até mesmo, de meditação espontânea, que trazem efeitos anti-inflamatórios sistêmicos e regeneração celular.

Ao falar sobre Yoga e seus benefícios, também falamos sobre elementos que, quando em falta ou desequilíbrio, também estão presentes em quase todas as doenças modernas (ansiedade, depressão, etc) que crescem estatisticamente, todos os anos.

Em outras palavras, falar de Yoga é falar sobre uma vida mais longa e melhor, acompanhada de uma mente lúcida. É falar sobre o sonho de um corpo que não pesa, mas flui. É falar sobre um potencial humano ainda pouco explorado. Finalmente, falar sobre Yoga é falar de uma fonte pessoal da juventude ou, como eu gosto de dizer, ter uma “blue bubble” ou “blue zone” para chamar de nossa e nos acompanhar em todos os lugares.

Isso é Yoga. E é isso que me apaixona tanto. É um sonho que vai além de métodos, linhas ou apego a conceitos antigos. Acredito que todo e qualquer método pode entregar este resultado, desde que esteja alinhado com a proposta original do Yoga milenar. Afinal, é uma proposta, e não mitos, lendas ou uma maquiagem mística e religiosa. 

Acredito que todas as posições são perfeitas e podem nos entregar resultados tangíveis, desde que descubramos a rota correta para chegar até elas. É como eu costumo dizer: posições não podem ser conquistadas, elas são uma direção, e cabe a nós aprender a gradualmente a nos movermos até elas. Estamos habituados a pensar nessas posições apenas no dia de hoje (e, no mais tardar, no de amanhã), mas o que eu entendo da prática do Yoga é que o objetivo dessas posições é direcionado à liberdade nas fases finais da vida. 

Essa reflexão me leva a estabelecer a primeira diferença entre meu trabalho e a forma com que o Yoga tem sido ensinado. A ideia da sustentabilidade. Nossas mudanças e melhorias em sala de aula precisam ser sustentáveis a longo prazo. Enquanto na nossa sociedade a ideia de sustentabilidade é cada vez mais forte, precisamos que esse conceito seja parte fundamental na maneira com que vemos o Yoga.

Aos 30 ou 40 anos, dificilmente pensamos sobre como será nossa vida aos 90, mas é disso que se trata: possibilidade de chegar aos 90 anos de idade (ou mais!) sem perdas de mobilidade desnecessárias. As posições de Yoga não são sobre formato; este pode ser uma referência, mas o verdadeiro objetivo é a função que aquela posição viabiliza, possibilita ou facilita.

A segunda diferença entre como eu ensino o Yoga e como vejo ele sendo ensinado: função acima da forma, em qualquer circunstância. Aqui ocorreu um enorme mal entendido na história do Yoga moderno, pois formatos de posições e regras gerais foram impostas aos alunos e praticantes de forma abusiva e pouco inteligente. Ideias abertas se tornaram regras, e acredito que aqui encontramos a razão para lidarmos com tantas lesões e problemas relacionados ao Yoga nas últimas décadas. Há uma falta de compreensão da função orgânica e biomecânica que cada posição guarda ou libera e assim professores, alunos e praticantes modernos do Yoga foram ensinados a priorizar a forma acima da função. Por isso, minha metodologia respeita e compreende as consequências orgânicas e biomecânicas de cada posição e sempre coloca função acima da forma.

A forma de uma posição e seu formato são únicos para cada indivíduo, e só podem ser compreendidos quando combinamos a história dessa pessoa, seus acidentes, traumas, biotipo, genética e uso do corpo com sua idade. Desconsiderar todos esses fatores é desrespeitar a própria natureza. Respeitar esses fatores significa facilitar e otimizar cada um deles, permitindo que eles fluam juntos em cada posição. 

Por fim, o terceiro grande diferencial do nosso método é o conceito de inclusividade. Sob a influência ainda frequentemente doentia da competitividade negativa, aprendemos que o “bom” é ser melhor que o próximo. Isso levou à cultura das aulas de diferentes níveis e, dessa forma, à ideia de exclusão. Na Kaiut Yoga, não temos níveis, pois a premissa de incluir pessoas diferentes na mesma turma é parte fundamental do método. Assim, nossos professores também crescem e evoluem ao aprenderem a adaptar a aula para que seja inclusiva e benéfica para todos.

Acredito que, explicando dessa forma, fica claro que o método Kaiut não é “outro Yoga” ou um “novo Yoga”. Somos absolutamente tradicionais e conservadores na abordagem, e nossa metodologia está sob forte influência da tendência humana natural de evoluir. Para mim, a evolução hoje se apresenta como inclusão, aceitação e sustentabilidade.

Em termos didáticos, somos um método verbal. Raramente nossos professores estabelecem contato físico com seus alunos. Isso acontece pois o início desse processo de restabelecer a mobilidade natural do corpo apenas acontece quando o aluno ouve. E, ao ouvir, se educa sobre essa nova função a ser restabelecida, religando circuitos neurológicos que vão dar origem à conexão mente-corpo. 

No método Kaiut, muitas das posições que utilizamos são diferentes das comumente vistas em outras metodologias. Não por eu não concordar com esses métodos, mas sim porque temos outras prioridades. No tempo adequado, todos os alunos vão explorar todas as posições, de forma sustentável.

Nosso trabalho também tem mais dois diferenciais importantes. O primeiro é que, antes de ganhar, queremos parar de perder. Se pararmos de perder movimentos, com o tempo isso representa ganhos, e esses ganhos são comparáveis à ideia dos juros compostos. Esses são resultados que trabalham a nosso favor, quando nos alinhamos à eles. 

A outra diferença é o fato de que a prática do Yoga está alinhada à natureza, e sua natureza é estar em constante evolução. Por causa deste conceito, o método não está e nunca estará alinhado com ideias, valores, técnicas ou teorias do universo fitness. Incorporar tais conceitos foi um dos maiores – senão maior – erros do Yoga nas últimas décadas. O universo fitness traz retornos ao corpo e à saúde, mas também traz competitividade, estética superficial e pouco entendimento sobre o que é saúde a longo prazo. Correr mais para poder comer mais gera sempre um equilíbrio de extremos e, entre extremos, não há equilíbrio, apenas instabilidade.  

Em resumo, as principais diferenças entre minha forma de ensinar – o método Kaiut Yoga – e outras abordagens do Yoga moderno são: 

  1. Sustentabilidade: Todas as posições são importantes e, quanto mais velhos ficamos, mais elas fazem a diferença. Qual seria a nova definição de envelhecimento, se pudéssemos passar dos 90 anos nos mexendo com a mesma fluidez dos 30 anos? Essa é a oferta aqui: sustentabilidade na mobilidade preservada ou restaurada. 
  2. Função acima da forma: As posições não têm – e não podem ter – um desenho ideal. Elas são sempre um resultado da combinação da história pessoal do indivíduo, uso do corpo, traumas e código genético. Um bom professor deve ser capaz de ler tudo isso e entender qual direção tomar. Qual é o formato de uma posição no seu corpo? Cada uma é única e individual. Duas posições não podem ser iguais, e não há certo e errado.
  3. Inclusão: Independente da sua história, sempre é possível melhorar sua qualidade de vida. Mesmo que no começo pareça impossível, um bom professor é capaz de encontrar soluções criativas, positivas, inclusivas e atrativas para preservar a função. A partir do conceito da inclusividade, todos podem se beneficiar de todas as posições, desde que compreendamos que existem graus distintos de acesso.  Assim, durante a prática, devemos sempre nos esforçar para trabalhar no ponto “ideal”, porque trabalhando no “máximo” há uma redução no potencial de resultados. Ao trabalhar para atingir o “ideal”, você estará sincronizado com a natureza.
  4. Natureza da evolução: A natureza está em constante evolução. A prática do Yoga deve sempre estar alinhada com a natureza e, dessa forma, com a evolução. No começo, nossa meta é diminuir e impedir que todas as perdas aconteçam, mas uma vez que isso é alcançado, começa o processo de evolução e a captação do potencial humano. Por esta mesma razão, o método está alinhado com a longevidade e a saúde, em vez de ser influenciado pelo universo fitness. 
  5. Escutar para aprender: Independentemente de qual foi sua educação – o processo fundamental de aprendizagem começa com a capacidade de uma pessoa de escutar. A construção do processo de diminuir e parar as perdas começa com sua habilidade de escutar. 

Yoga é saúde natural, mobilidade, sustentabilidade e longevidade. O método Kaiut Yoga foi desenhado para que cada aluno tenha resultados aplicáveis e seja impulsionado a atingir resultados à longo prazo. Mais do que um método de Yoga, é uma forma de viver mais e melhor todos os dias, a partir de hoje até sua velhice.

Kaiut Yoga é liberdade, longevidade e captação completa do potencial humano.

Francisco Kaiut.