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YOGA pra todo mundo!

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UM YOGA PRA TODO MUNDO!

Venho aqui esclarecer por que acredito, de fato, que este é um método de yoga “pra todo mundo”, conforme diz o nosso slogan!

Para contextualizar, é relevante lembrar que a partir do meu acidente de infância, “aquele tiro”, minha vida mudou completamente. Não de imediato, mas logo após alguns anos de acomodação ao trauma da bala, quando o trauma emocional decorrente deste episódio, fizeram todo o meu sistema musculoesquelético se transformar drasticamente.

Muita rigidez muscular, muitas contraturas, dores em diversas áreas do corpo e chegando à vida adulta com a finalização do processo de crescimento, houve uma gradual integração e solidificação disto tudo. Quando digo integração, refiro-me aqui ao final da primeira fase de qualquer acidente pelo qual o corpo passe. Somente para exemplificar o que digo: Alguém sofre um entorse de tornozelo muito forte, trata, medica, melhora a dor, na sequência o inchaço reduz, gradualmente reabilita o movimento, fortalece e pensa que acabou! Este é apenas o final da primeira fase.

Tendo ou não dores crônicas no local machucado ou no meu caso, baleado, após a aparente cura, resta “sempre” uma alteração no padrão de movimento. Digamos que no caso da minha articulação coxofemural ou no caso do tornozelo do exemplo acima, cada uma destas articulações teve sua mobilidade natural reduzida em 10% do ideal ou do que a natureza previu que elas dispusessem.

No caso do tornozelo, passamos a caminhar diariamente alguns milhares de passos ao dia com uma diferença imperceptível e inicialmente indolor. Temos então, dentro desta articulação, um uso aquém do ideal, criando assim um desequilíbrio se comparada com a articulação do outro tornozelo e então, como numa obra de engenharia, esta desarmonia ecoa para cima em toda a estrutura.

Músculos, tendões e ligamentos passam a ser usados de forma diferente do normal para que possamos nos manter funcionais.
Esta compensação fica ainda mais relevante se este processo ocorre quando estamos em fase de crescimento e tudo em nós aprende a funcionar de forma distinta, que não é a ideal.
O fim da primeira fase é o momento em que todo o sistema corporal passa a contar com estas diferenças e desarmonias como se fossem parte dele.
Passada esta fase, lidamos com o resultado dela advindo. Dores musculares, lesões crônicas, diferenças de padrão de movimento em áreas aparentemente não ligadas ao entorse, ao tiro, ao tombo do cavalo ou ainda à aquela fratura de infância.
Traumatismo.

A análise deste processo de assimilação de um trauma ou acidente em meu corpo e depois, em centenas de alunos, me permitiu perceber o quanto podemos, na fase adulta, nos transformar fisicamente na consequência dos inúmeros acidentes e eventos físicos que nos marcaram, mesmo sem percebermos isto.

A partir disto, veio minha percepção de que praticamente tudo o que os alunos me traziam de problema, dor ou desconforto tinha sua raiz dentro de uma articulação.

Passei a ver que, mesmo lesões musculares, nasciam geralmente de uma falta de movimento
perfeito em pelo menos uma das articulações e assim sobrecarregavam os músculos.

Notei também que quando a articulação ou o tendão sofriam, a região que sofria, inflamava ou doía era geralmente desassociada do ponto que originava essa dor.

Exemplificando novamente: uma inflamação do tendão do bíceps seguida de rompimento parcial deste tendão, muitas vezes está associada a falta do movimento correto do ombro como um todo, ou seja, diminuição do movimento “perfeito”, ideal entre a escápula, clavícula e úmero.

Depois de identificar isto em centenas de alunos e em casos distintos, percebi que só mesmo as posições do yoga nos dão uma dimensão mais clara de qual é o potencial de movimento de uma articulação. Comecei então a usá-las principalmente como referência do que o corpo poderia ou deveria ser capaz de fazer.

Após compreender a enorme verdade escondida atrás de cada pedacinho de cada uma das posições, pude entender que toda e qualquer articulação, precisa das diversas posições do yoga em todas as suas particularidades, para que possa ser plena, exercer seu papel na dinâmica de nosso organismo e com isto ser realmente saudável.

Hoje, organizo toda a estrutura corporal de um aluno, considerando sua história a partir das suas articulações, não me importando com o que acontece no restante do corpo, porque naturalmente, o que quer que esteja acontecendo, vai acabar impactando as articulações e é nelas que melhor podemos abordar as questões do passado do corpo.

Uso a ausência, parcial e/ou localizada, de gravidade e, sempre que possível, também a ausência de esforço, para identificar no aluno, qual o principal bloqueio, a articulação mais sobrecarregada pela vida, por sua história, por seus acidentes. A origem primária de seu desequilíbrio que causa a dor.

A partir de uma articulação específica, considero o potencial genético ideal daquela junta. Lentamente, suavemente, acrescento pressão sobre todas as áreas em que o movimento diminuiu em relação ao que seria o ideal de potencial da junta e crio condições para que este movimento reconstituído permaneça livre.

  • O fenômeno da cura é a reorganização natural, biomecânica daquela articulação tratada.
  • Quando trato várias articulações, eu crio um efeito sistêmico por todo o corpo. Porque além do resultado pontual em cada uma delas, consigo, em um processo de ressonância, que a natureza daquele indivíduo se reorganize sozinha.

Como qualquer ecossistema livre de interferência negativa o corpo também é capaz de se reorganizar por si próprio.

Toda rigidez, desorganização, dores crônicas e outros fenômenos surgidos em decorrência dos traumas que acometeram as estruturas de um corpo, podem, desta forma, ser praticamente apagados do sistema físico quando fazemos o mesmo caminho que o trauma percorreu, porém agora, de forma objetiva, com resultado inverso e positivo.

Assim, este yoga é pra todo mundo por que independente da idade em que nos encontramos hoje, todos nós já caímos, quebramos ou sobrecarregamos algumas áreas em detrimento de outras e é certo que estes desequilíbrios tornarão-se mais claros quando envelhecermos.